Escola de Ciência Política


Itália
Outubro 6, 2007, 1:29 pm
Filed under: Geografia histórico-política
(Repubblica Italiana) 301 262 km2 e 57 290 519 habitantes; 34, segundo a fórmula de Cline. Unificada desde 17 de Março de 1861.



Guelfos e gibelinos


Nos séculos XIII e XIV, a Itália divide-se entre os partidários do papa, a parte Guelfa (os partidários de Otão IV) e a parte Ghibellina (partidários dos Hohenstaufen, liderados por Frederico II), defensora do imperador; os guelfos predominam em Florença, Milão, Bolonha, Mântua e Ferrara; os guibelinos em Siena, Pisa, Rimini, Modena, Pavia e Cremona; no fim do século XV, os guelfos assumem-se como aliados do rei de França, enquanto os guibelinos se inclinam para Carlos V. Em 1494 o rei de França Carlos VIII ocupa Nápoles e, em nome dos direitos históricos da casa de Anjou, assume-se como rei; será expulso no ano seguinte; nova investida de Luís XII sobre Milão, contra a qual se ergue uma Santa Liga formada pelo papa Júlio II. Francisco II, aliado a Veneza, vence os suíços em Marignano (1515) e toma posse do ducado de Milão durante seis anos. Francisco I, em Fevereiro de 1525, é derrotado em Pavia por um exército de Carlos V comandado pelo belga Charles de Lannoy; é obrigado a assinar o Tratado de Paris de 1526, onde renuncia a Milão e a Nápoles, assim como à Flandres, à Borgonha e ao Artois. Entre 1536 e 1538; Francisco I conquista a Sabóia e o Piemonte em 1536; a França irá abandonar estas conquistas em 1559. Sexta guerra entre os Valois e os Habsburgos, a partir de 1556; em Agosto de 1557, vitória de Filipe II em Saint-Quentin; a França ocupa Calais, em Janeiro de 1558, e o Luxemburgo; termina com o tratado de Cateau-Cambrésis (3 de Abril de 1559), Filipe II mantém Milão e o reino de Nápoles e o rei de França permanece em Calais, há duzentos anos na posse dos ingleses, Metz, Toul e Verdun; a partir de então os reis de França renunciam a uma presença forte em Itália e Habsburgos são obrigados a renunciar a um império universal.

Disputas entre Habsburgos e os Bourbons

Nos séculos XVII e XVIII, a Itália é um campo de disputas entre os Habsburgos e os Bourbons, onde apenas emergem duas comunidades políticas essencialmente italianas: a decadente República de Veneza e os domínios da Casa de Sabóia. Com efeito, parte da Guerra da Sucessão de Espanha desenrola-se no norte de Itália, ficando os Habsburgos austríacos com a parte de leão do território, depois da Paz de Utrecht, de 1713. Contudo, os Bourbons de Espanha, com Filipe V, casado com Isabel Farnese e pela acção do ministro italiano Alboreti, tenta, a partir de 1717, intervir pela força na Itália, assim procurando rever a partlha de Utrecht. Só uma acção conjugada da Áustria, da França e da Inglaterre obrigam à cedência espanhola, no tratdo de Madrid de 1729. Mas Isabel Farnese não desiste e em 1731 consegue que o seu segundo filho, Filipe, fique com o Ducado de Parma. Com a Guerra de Sucessão da Polónia (1734-1738) e a Guerra de Sucessão da Áustria (1741-1748), a Itália volta a ser campo de conflitos. A situação estabiliza com a paz de Aix-la-Chapelle de 1748: o Milanês e a Toscana são atribuídos aos austríacos; nas Duas Sicílias reinam os Bourbons de Espanha, que também acumulam com Parma, Placência e Guastalla; a França consegue o protectorado de Génova e Modena e mantêm os Estados papais no centro; Veneza continua independente e a Casa de Sabóia reforça-se, com o Piemonte, a Sardenha e Montferrat.

Incursões napoleónicas

Este equilíbrio vai ser desfeito com as incursões napoleónicas, iniciadas em 1796; em 28 de Abril de 1796, pelo armisticio de Cherasco já é eliminado o Piemonte; em 14 de Maio já entra em Milão; segue-se Veneza que, entretanto, pela Paz de Campoformio, é atribuída à Áustria. Entretanto, Napoleão vai reorganizando o modelo político italiano. Em Outubro de 1796 cria a República Cispadana; em Julho de 1797, a República Cisalpina; em Outubro de 1797, a República Lígure; seguem-se outras ocupações a sul: Roma cai em Fevereiro de 1798; Nápoles em Janeiro de 1799 – o rei Fernando foi obrigado a exilar-se em Palermo -, e mais duas repúblicas se juntam ao modelo, a República Romana e a República Partenopeia. Contudo, a partir da primavera de 1799, tropas austro-húngaras obrigam os franceses a retirar-se da Lombardia; contudo, no ano seguinte, depois da vitória de Napoleão em Marengo (14 de Junho), restabelece-se a ocupação francesa na Lombardia, garantida pela Paz de Lunéville, de 9 de Fevereiro de 1801. Em Janeiro de 1802 já Napoleão unifica o território, instituindo uma República Italiana de que se assume como presidente. Mas em Maio de 1804, depois de estabelecido o Império francês, Napoleão transforma-a no Reino de Itália de que assume a titularidade, colocando Eugénio de Beauharnais, como Vice-rei; muito simbolicamente, em 26 de Maio de 1805, o mesmo Napoleão recebe em Milão a coroa de ferro dos lombardos. É também em 1805 que conquista Veneza aos austríacos, bem como o Trieste e a Ilíria; em Janeiro de 1806 reocupa Nápoles; quatro anos depois, integra Trento; em 1809, na Itália, fora da dominação napoleónica, apenas resta a Casa de Sabóia, reduzida à Sardenha, e os Bourbons de Nápoles, na Sicília; a irmã, Elisa, é grã-duquesa da Toscana, o papa é expulso e os Estados Pontifícios são integrados no Império francês.

Congresso de Viena

Resta esperar pelo Outono de 1813 quando os austríacos, depois da derrota das tropas napoleónicas em Leipzig, tratam de reocupar os seus domínios italianos; em Maio de 1814, já o papa Pio VII volta a Roma. Depois do Congresso de Viena, a Itália, considerada como mera expressão geográfica, segundo o célebre dito de Metternich, passa a ter uma nova configuração; os Habsburgos austríacos passam a ser titulares do reino Lombardo-Veneziano, anexam Trento, a Ístria e a Dalmácia; dominam no centro, onde regressam vários príncipes titulares aparentados com os Habsburgos, no grão-ducado da Toscana, no ducado de Modena e no ducado de Parma; os Estados Pontificios mantêm-se, mas guarnições austríacas instalam-se em Ferrara e em Romana; cresce também o reino do Piemonte-Sardenha que passa a integrar a República de Génova; no sul, o reino das Duas Sicílias é atribuído aos Bourbons de Nápoles.

Nacionalismo liberal

É neste ambiente que o nacionalismo liberal vai operar; a partir de 1815, a partir de meios aristocráticos e burgueses, especialmente entre universitários e militares passam a operar inúmeras lojas maçónicas, influenciadas pelos modelos dos carbonari que em Nápoles se opuseram à dominação francesa; o principal adversário são os austríacos, os tedeschi e a Santa Aliança que os sustenta.

Os efeitos da Revolução de 1830

O impulso libertacionista recebe novo alento a partir da Revolução de Julho de 1830 em França, destacando-se, sobretudo, a acção de Giuseppe Mazzini que, no exílio, a partir de 1831, funda o movimento Jovem Itália (La Giovane Italia)que integra num mais vasto movimento, a Jovem Europa que pretendia assumir como o contraponto da Santa Aliança. As palavras de ordem deste movimento são as de Deus e Povo. Serão os mazzinianos que estarão por trás das várias revoltas frustradas que ocorrem em 1833 e 1834, visando a instituição de uma república unitária, democrática e deísta, mais ou menos de inspiração maçónica.

Risorgimento

Esta é a pedra básica do chamado Risorgimento que também vai ter um pilar piemontês, onde Cesare Balbo, autor do livro As Esperanças de Itália, e Massimo d’Azeglio, propõem um modelo de federação em torno da Casa de Sabóia, o chamado albertismo, onde a federação constituiria uma associação de Estados, entendidos como associação de comunas, e onde as comunas se vislumbram como associações de famílias. Contudo, uma terceira linha italianista emerge entre os meios clericais e católicos, impulsionada pelo abade Vincenzo Gioberti que, na linha neo-guelfa, propõe o estabelecimento de uma confederação de príncipes italianos agrupados em torno do papado. Esta linha tem um forte sustentáculo em 1846 quando o prelado liberal Giovanni Mastai Ferreti é eleito papa, com o nome de Pio IX, sucedendo a um Gregório XVI, considerado partidário da Áustria; com efeito, logo no início do respectivo pontificado, os Estados pontificais adoptam uma série de medidas de abertura e de amnistia que não tardam a ser seguidas noutras regiões de Itália. No Piemonte, Carlos Alberto, logo em 5 de Março de 1848, abandona o modelo da legitimidade da Santa Aliança, concedendo uma carta constitucional.

A primavera dos povos de 1848

Acontece também que vai chegar a Itália o choque da primavera dos povos que assume particulares dimensões na Lombardia, onde em 22 de Março de 1848, e instaura uma república em Milão; aproveitando as circunstâncias o Piemonte de Carlos Alberto assume a liderança do processo e trata de declarar a guerra à Áustria, proclamando então que a Itália se libertará por si mesma (L’Italia farà da se). Contudo, Pio IX vai deitar água na fervura quando, em 29 de Abril, sob o pretexto de condenar qualquer guerra entre cristãos, não apoia a luta dos italianos contra os Habsburgos. Aliás o próprio movimento de revolta cresce entre os Estados pontificais. Nos finais de 1848, em Roma, o primeiro-ministro do Papa é assassinado, Pio IX é obrigado a fugir para Gaeta e os mazzinianos tomando a ofensiva chegam a proclamar uma república em 9 de Fevereiro de 1849. Sol, aliás, de pouca dura, dado que em 4 de Julho de 1849 se restabelece a ordem papal, garaças ao apoio de uma força expedicionária francesa, para lá enviada por Napoleão III. O Piemonte, no entanto, vai alastrando e entre Junho e Julho de 1848 estende-se a Parma, Modena, a toda a Lombardia e a Veneza. Contudo, entre 23 e 25 de Julho, Carlos Alberto é derrotado na batalha de Custozza e é obrigado a abandonar Milão, nos termos do armistício de Salasco, assinado em 9 de Agosto. No ano seguinte volta entretanto à guerra, mas em 23 de Março, sofre nova derrota na batalha de Novara, abdicando em pleno campo de batalha a favor do filho Vitor Emanuel II, Il Re Galantuomo.

Segue-se uma aliança entre o Piemonte e a França de Napoleão III que, em 1859, declaram guerra à Áustria. Com o armistício de Vilafranca e a Paz de Zurique, esboça-se a organização de um Estado federal italiano. A Áustria cedia a Lombardia, mantendo-se, embora, em Veneza; a França obtinha definitivamente Nice e Sabóia e conseguia evitar a intervenção da Prússia na guerra.

Contudo, os Estados da Itália central decidem através de referendo a integração com o Piemonte. Garibaldi com os mil camisas vermelhas desembarca na Sicília, conquista Nápoles e oferece esses territórios ao rei do Piemonte.

Mas em 1879, já depois da integração de Roma no Reino de Itália, um dos líderes do triunfante Risorgimento, Azeglio, proclamava: agora, a Itália está feita, mas é preciso fazer italianos. De Mazzini fica a ideia mítica da Terceira Roma. Um caldo que vai inebriar Benito Mussolini. Em Outubro de 1922, a marcha sobre Roma que vai levar ao poder Mussolini. Em 1929, o Tratado de Latrão entre a Itália e a Santa Sé.

Retirado de Respublica, JAM

Imagens picadas da Wikipédia


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