Escola de Ciência Política


Eliade, Mircea (1907-1986)
Setembro 21, 2007, 12:57 am
Filed under: Biografias
Escritor romeno. Historiador das religiões, teórico do mito. Formado por Bucareste em filosofia (1928). Doutorado na mesma universidade em 1933, com uma tese sobre Yoga. Ensaio sobre as origens da mística indiana. Passa a professor da história das religiões e de filosofia indiana em Bucareste. Adido cultural da embaixada da Roménia em Londres (1940), e em Lisboa (1941-1944). Professor na Sorbonne a partir de 1945. Emigra para os Estados Unidos em 1956, sendo professor de história das religiões na Universidade de Chicago. Funda em 1961 o jornal de History of Religions. Editor coordenador da Encyclopedy of Religion que se edita em 1987.

Retirado de Respublica, JAM

História
De uma famila de cristãos ortodoxos (a celebração do seu aniversário se dava pela data do seu batismo, que foi em 9 de março do calendário juliano), desde jovem se tornou poliglota, aprendendo o italiano, inglês, francês e alemão. Suas leituras prediletas foram Raffaele Pettazzoni e James George Frazer. Mais tardiamente aprendeu o hebraico, o sânscrito e o parsi.
Na escola, interessava-se por biologia e química e teve até um pequeno laboratório. Lia muito, e aumentou o seu tempo de leitura diminuindo as horas de sono para apenas cinco a seis por noite.
Seu grande interesse em religiões comparadas, filosofia e filologia, o levou a, em 1925, iniciar seus estudos na Universidade de Bucareste, formando-se em Filosofa.
A influência de Nae Ionescu (1890), então assistente do “professor de logica e metafisica”, e suas atividades jornalisticas, levaram o jovem Eliade a se envolver com a extrema direita, na guerra civil romena.
A tese de mestrado de Eliade examinava a filosofia na Renascença italiana, de Marcilio Ficino a Giordano Bruno, e o humanismo na Renascença foi a maior influência para a ida de Eliade à Índia, tendo ali estudado o sânscrito e as filosofias do sudeste asiático, sob a orientação de Surendranath Dasgupta (1885-1952), professor emérito da Universidade de Calcutá e autor de 5 volumes sobre a História da filosofia da (Índia) (Motilal Banarsidass 1922-55).
Eliade era um bom aluno, mas a sua relação com Dasgupta deteriorou-se quando se apaixonou pela filha deste, Maitreya, altura em que escreveu a novela erótica «Isabel Si Apele Diavolului» (1930).
Ele retornou a Bucareste em 1932 e submeteu com sucesso sua análise sobre Yoga como sua tese de doutoramento no departamento de filosofia em 1933. Publicou-a em francês como “Yoga: Essai sur les origines de la mystique Indienne” (Yoga: Ensaio sobre a origem do misticismo indiano) que aumentou a sua reputação e o levou a publicar Yoga, Imortalidade e liberdade. Como assistente de Ionescu, Eliade leu, entre outras coisas, A metafisica de Aristóteles e Docta Ignorantia, de Nicholas Cusa.
De 1933 a 1939 ele foi ativo em um grupo de Crítica que fazia seminários públicos sobre diversos tópicos. Este grupo foi influenciado pela filosofia do “trairismo,” a busca pela “autenticidade” pelas experiências na vida (Romanian, traire) chamado por algumas fontes de “autenticialismo.”
Após a Segunda Guerra Mundial, durante a qual serviu na legião romena na Inglaterra e Portugal, Eliade foi incapaz de voltar para a recém Romênia comunista, por suas ligações com a ala direita da Ionescu. Em 1945 ele mudou-se para Paris, onde conquistou uma posição na George Dumézil (uma importante escola de mitologia comparativa), divindindo seu tempo com a École des Hautes Études, na Sorbonne, onde ensinava religião comparativa. Neste tempo, os trabalhos de Eliade foram escritos em francês.
A documentação que recolheu, especialmente a respeito do Yoga, tornou-se, depois, sua tese de doutoramento publicada em francês em 1936. A partir de então, Eliade adquiriu renome como professor de História das Religiões, tendo lecionado na Universidade de Bucareste, na École des Hautes Études de Paris, no Instituto do Extremo Oriente de Roma, no Instituto Jung de Zurique, na Universidade de Chicago. Foi também Doutor Honoris Causa de numerosas universidades de todo o mundo. Premiado em 1977 pela Academia Francesa, recebeu a Legião de Honra.
Eliade também trabalhou como adido cultural e de imprensa nas representações diplomáticas romenas em Londres e Lisboa até 1945. Na capital portuguesa, onde se interessou pelos clássicos, como Sá de Miranda, Camões e Eça de Queiroz, organizou tertúlias e empenhou-se em estabelecer elos mais fortes entre os latinos do ocidente e do oriente, impulsionando traduções, conferências e concertos.
Em Portugal, escreveu «Os Romenos, Latinos do Oriente», uma síntese histórica, cultural e espiritual do seu país, e «Salazar e a Revolução Portuguesa», livro em que defendia que o general Antonescu, no poder em Bucareste, se poderia inspirar no regime português para criar um Estado autoritário mas não totalitário.
A obra não surtiu, todavia, os efeitos pretendidos: não só Antonescu não adoptou o modelo português, como Salazar não gostou, segundo informações que obteve, da «heterodoxia» da sua interpretação, o que levou a que o livro não fosse traduzido para a língua portuguesa, autor sobre o qual queria, aliás, escrever.
O livro, que acabou por nunca escrever, por causa de «Salazar Si Revolutia in Portugália», já tinha até título: «Camões. Ensaio de Filosofia da Cultura» e versaria sobre um tema que o fascinava, as civilizações marítimas.
No seu «Diário Português», obra conhecida apenas em 2001, pela mão de uma editora de Barcelona, Mircea Eliade mostrou-se por vezes crítico, embora não hostil a Portugal, país que considerava periférico, um pouco à margem da história e da cultura.
Posteriormente, estabeleceu-se em Paris e, finalmente, em Chicago, onde faleceu.
Visitado por Joachim Wach, predecesor de Eliade na Universidade de Chicago, um comparativista e hermeneuticista, Eliade foi convidado para dar em 1956 aulas sobre “Tipos de Iniciação” na Universidade de Chicago. Foi nesta época que foi publicado Nascimento e Renascimento (Birth and Rebirth). Em 1958 ele foi convidado para assumir a cadeira de História das Religiões no Departamento de Religião da Universidade de Chicago. Lá ele permaneceu até a sua morte, em 22 de Abril de 1986, publicando e escreveno uma obra extensa (também de ficção, que não foi publicada). Ele também lançou “O jornal da História das Religiões” e o “Jornal das Religiões” e atuou como editor chefe para a enciclopédia Macmillan de Religiões.
É provavelmente o mais importante e influente especialista em história e filosofia das religiões. Nascido em Bucareste, entretanto, cursou filosofia e não história. Com a chegada da II Guerra Mundial, Eliade trabalhou nas delegações romenas em Portugal (tendo residido em Cascais) e no Reino Unido. Após a guerra, impedido de regressar a uma Roménia comunista, foi convidado a dar aulas em Paris na Sorbonne. Em 1958 foi convidado para chefiar o Departamento de Religião da Universidade de Chicago, cargo que ocupou até à sua morte em 1986. Contudo e apesar de ter escrito obras científicas tão importantes e centrais como «O sagrado e o profano», Eliade publicou uma extensa obra literária cuja qualidade é universalmente reconhecida mas que, por ter sido escrita inicialmente em romeno, tardou a ser divulgada.”

Retirado da Wikipédia

Foto picada do JN

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