Escola de Ciência Política


Sobre a memória colectiva, nestes pequenos dias de ‘grandes portugueses’
Março 26, 2007, 5:59 pm
Filed under: Nos Horizontes da Academia

“Dos fracos não reza a história”!!!

Muito teria de recordar, a montante e a jusante da verdade histórica sobre tão ilustre personagem da nossa história colectiva, como é a do ex-Presidente do Conselho de Ministros António de Oliveira Salazar (também se pode ver o que hoje diz o meu mui citado mestre JAM): a montante, sobre as causas que permitiram que a exuberância do seu carisma se plasmasse na adesão massissa dos vários quadrantes sócio-ideológicos daqueles tempos de rescaldo da 1ª República (…); a jusante, sobre as consequências que, principalmente a partir do isolamento internacional do regime criado pelo Estado Novo, assim como dos desiquilíbrios internos advindos da obsolescência do respectivo sistema nacional, se fizeram sentir no oportunismo daqueles que o regime então evitava, que mais não são que os mesmos que, hoje, fazem com que, na consciência da maioria dos portugueses, se repita o que em 1926 era inevitável: a chegada de um qualquer ‘dom sebastião’, qual messias salvador para tamanha catástrofe nacional, que agora também se vive!
Creio-me insuspeito, para os que realmente me conhecem, sobre a minha opinião a respeito deste homem de Estado que foi Salazar. O mesmo já não direi de M. Caetano, se bem que não o contraponha, apenas distinga. Mas daí a Salazar ser o maior português de todos os tempos, … ?! Não posso esquecer:
– o episódio de 1958 (ao colo de minha saudosa tia-avó Amélia, em Guimarães, tinha eu 4 anos, fugia o povo à frente das investidas a espada da cavalaria da GNR, procurando euforicamente uma porta onde se enfiar, tal o pânico criado na população que então se reuniria para o que deveria ter chegado a ser um comício a favor de Humberto Delgado …);
– a disciplina antipedagógica que se vivia nas salas de aula, em estabelecimentos de ensino onde o separatismo do género humano criava um pseudo mito da castidade sexual;
– a polícia política que, por eu ter participado em “actividades estudantis subsbersivas para a ordem da Nação”, me expulsou do Liceu e me proibiu de estudar em estabelecimentos públicos de ensino; etc.; etc..
Por isso direi, mais uma vez, que estes dias, tão estranhos que já não admira tamanha estranheza (pois a memória colectiva a que, forçosamente, nos fomos habituando, não se compadece com as fraquezas indiduais que o esquecimento constrói), estão nesse contraponto das pseudo-verdades que se querem sobrepôr ao espírito imanente, essa Vontade que está, congenitamente, na personalidade social dos povos.
E, neste contexto, faz-me o presente episódio evocar, também ao jeito historiográfico, a mensagem musicológica deste trecho dos Moody Blues:

MOODY BLUES lyrics
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