Escola de Ciência Política


Carácter nacional português
Fevereiro 6, 2007, 9:08 pm
Filed under: História Política Portuguesa
Do gr. charactér, gravar, coisa gravada. Jorge Dias tentou ensaiar uma síntese da personalidade básica dos portugueses em Os Elementos Fundamentais da Cultura Portuguesa, Coimbra, 1955; Estudos do Carácter Nacional Português, Lisboa, Agência Geral do Ultramar, 1960 ( há também uma edição do Centro de Estudos de Antropologia Cultural da Junta de Investigações do Ultramar, 1971) e O Carácter Nacional Português na Presente Conjuntura, in BAICP, nº 4, 1968, pp. 231-248.
Para ele, o homem português é:
1º- Um misto de sonhador e de homem de acção, ou melhor, um sonhador activo, a que não falta certo fundo prático e realista. É por isso mais idealista, emotivo e imaginativo do que homem de reflexão.
2º- Profundamente humano e sensível, amoroso e bondoso, sem ser fraco. Não gosta de fazer sofrer e evita conflitos, mas ferido no seu rgulho pode ser violento e cruel. A religiosidade apresenta o mesmo fundo humano peculiar do português. Não tem carácter abstracto, místico ou trágico próprio da espanhola, mas possui uma forte crença no milagre e nas soluções miraculosas.
3º-Tem vivo sentimento da natureza e um fiundo poético e contemplativo estático, faltando-lhe a exuberÅncia e alegria espontânea e ruidosa dos povos mediterrânicos.
4º-Individualista, com grande fundo de solidariedade humana.
5º-Não tem sentido de humor, mas é dotado dum forte espírito crítico e trocista e duma ironia pungente.
6º-Expansivo e dinâmico.
7º-Afectivo, bondoso e amoroso.
8º-Avesso às grandes abstracções e às grandes ideias que ultrapassam o sentido humano.
9º-Perante as grandezas e os mistérios da natureza que foram pouco a pouco descobrindo, nasceu nos portugueses uma atitude especial, não destituída dum certo fundo místico-naturalista, com tintas de panteísmo não filosófico.
Como refere o mesmo autor, na última obra citada, p. 244, para o português “o coração era a medida de todas as coisas”, tal como para o alemão é a cultura, para o francês, a razão, e para a american way of life, o time is money. No português existiria “uma enorme plasticidade humana e invulgar sentido ecuménico” (p. 237), uma predisposição para “aceitar de maniera natural as chamadas culturas primitivas”(p. 238), marcada pelo princípio católico da renúncia aos bens terrestres como meio de alcançar a vida eterna (p. 239).

A perspectiva de Miguel de Unamuno.
Noutra perspectiva, Miguel de Unamuno considera que “o povo de Portugal é triste, mesmo quando sorri… É de suicidas o povo de Portugal, talvez ele seja um povo suicida. Para ele, a vida não tem sentido transcendente”( in Carta a Manuel Laranjeira de 1908, in De Fora para Dentro, Lisboa, Fernando Ribeiro de Mello/ Ediçoes Afrodite, 1973, p. 159). Noutro lugar, considera que “a mansidão, a meiguice portuguesa só se encontra à superfície; raspai-a e logo haveis de encontrara uma violência plebeia que chegará a assustar-nos” (in Por Tierras de Portugal y España, 1908, op. loc., cit., p. 167), concluindo que “o português é constitucionalmente um pessimista”(id. p. 171).
Retirado de Respublica, JAM
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