Escola de Ciência Política


Revisionismos dos novos tempos
Novembro 11, 2006, 7:15 pm
Filed under: Não classificado
Prof. JP dos Santos v Durão Barroso, Kautsky v Bernstein, Sócrates v classe média (?), Congresso do PS … “Tudo Isto é Fado”!

Começa a ter algum interesse espreitar sobre a comunicacionologia (à maneira discreta de JJ Gonçalves), que nos últimos dias vamos vendo entrar pelas janelas dos nossos sentidos, uma vez descodificadas as mensagens da dita: o rei mundial dos cyberdólares (B Gates) fala a Barroso, depois de uma lição dada por outro português sobre as nossas potencialidades económico-empresariais − de aposta “naquilo em que sempre somos bons”, mostrando assim Durão, bom aluno que é, que:

«Durão Barroso

“É dramaticamente urgente” a internacionalização das empresas portuguesas

Carlos Filipe Mendonça
carlosmendonca@mediafin.pt

O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso afirmou hoje que “é dramaticamente urgente que as empresas portuguesas compreendam que só com o mercado nacional não vão lá”.

À chegada ao Conselho para a Globalização, promovido pelo Presidente da República, Cavaco Silva, que está a decorrer em Sintra, Durão Barroso disse que “neste momento somos 500 milhões de consumidores na União Europeia mais do que americanos e russos juntos”.
O presidente da Comissão diz ter vindo “explicar o que estamos a fazer na Europa em matéria globalização e sublinhar que este processo não é uma ameaça mas sim um desafio”.», diz mais este artigo do J Negócios.

Ao mesmo tempo, e ainda em terras lusas, vamos assistindo, televisivamente, a mais um Congresso do Partido da Rosa (sem a Luxemburgo, pois com essa estaria Kautsky contra o bernsteinianismo actual desta força partidária, a atestar pelo acerto das palavras do actual nº dois da hierarquia estatal quanto a um socialismo “moderno” versus esse “socialismo obsoleto”), onde Sócrates, sozinho porque com mais ninguém, vai compreendendo a nossa classe média, mas ainda no pressuposto de que “o socialismo só seria possível se fosse ele o herdeiro de um capitalismo inteiramente desenvolvido. (…) Assim, a Social Democracia não deveria atacar os liberais. Os liberais seriam os seus melhores aliados, porque a Social Democracia só teria êxito se fosse o sucessor cronológico e intelectual do liberalismo. Daqui uma tese reformista ou gradualista — baseada na análise da própria realidade: “o socialismo está já, actualmente, sendo realizado aos poucos.” [1]
Que me resta dizer, então?
O fado de Amália!!!
Tudo Isto É Fado

Perguntaste-me outro dia

se eu sabia o que era o fado.
Eu disse que não sabia,
tu ficaste admirado.
Sem saber o que dizia,
eu menti naquela hora.
E disse que não sabia,
mas vou-te dizer agora.
Almas vencidas,
noites perdidas,
sombras bizarras.
Na mouraria,
canta um rufia,
choram guitarras.
Amor, ciúme,
cinzas e lume,
dor e pecado.
Tudo isto existe.
Tudo isto é triste.
Tudo isto é fado!
Se queres ser o meu senhor
e teres-me sempre a teu lado,
não me fales só de amor
fala-me também do fado.
Que o fado, que é meu castigo,
só nasceu p’ra me perder.
O fado é tudo o que eu digo
mais o que eu não sei dizer.

Amália Rodrigues, “Abbey Road 1952”

[1] Freitas do Amaral, Diogo, História das Ideias Políticas, vol. II, Lisboa, 1998, pp. 236-237.
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